Segunda-feira, Janeiro 10, 2011

Invertida

Faz algum tempo não me sento aqui invertida em horário de sono e de acordar.
O troc do ventilador, o som do cinema nacional ao fundo, a digestão ainda em andamento e um inchaço nas pernas de tantas horas cadeira de hoje.

Sinto que algo novo em mim vai falar.

Ouvidemos.

Segunda-feira, Abril 05, 2010

Bilhete e Marquinhas no Boletim

As marquinhas que discuto no boletim do menino não são as mesmas que ele deixa em mim.

As marquinhas da disciplina que lhe cobram no site (veja que moderno) são minhas irreverências revistas, reeditadas nele.

Não que fosse uma aluna desatenta ou que esquece, conversa a mais, que não leva tal e tal mas... como suportar um ambiente onde "me mover" pode ser considerado um gesto de desatenção? Como ser tão punida e humilhada pelo poema que enviei ao kiko ? (ai que odeio até hoje aquela professora loira-oxigenada, Janete!!!)declarando um amor bonito ?

A educação que se fez em mim foi a que desconsiderou que o amor pudesse vir a fazer parte.


Vou rasgar o bilhete das marquinhas. Elas devem representar mais do que aparentemente dizem.

Sábado, Fevereiro 20, 2010

Das dores

a página em branco é uma coisa tosca.
a página em branco é uma coisa única.
a página em branco é uma coisa.

Terça-feira, Janeiro 05, 2010

Paz

Quando voce se encontra com as noticias do telejornal, há bastante motivo para o medo, angústia,solidariedade,ira e toda sorte de sentimentos e pecados capitais. Mas ando dizendo não para o forte sentir. Ando numa condição curiosa. Tudo está certo. Tudo está prescrito para curar. Aí, silencio e aguardo novos sentires. Sei que a moça tão bonita que morreu soterrada escreve seu poema de despedida porque tinha mesmo combinado partir. Sei que a terra incha em lágrimas que ocultou por tanto tempo e desagua finalmente toda sua pavimentação. Tá certo, Mãe Divina. Tá certo. Dói ver e sentir um pouco da imensa dor do outro. "Para sempre...para sempre...amigo do meu irmão...que ele é a minha luz...neste mundo de ilusão". Tá lá nele meu eu. Sou eu que sobrevivi e que morri. Entre a intensa presença da energia e o viver nesse cotidiano há um buraco. Como manter a energia, a presença ? Como segurar o plano da melhor sintonia tendo que sobreviver na matrix ? Eis grande desafio. Pudesse, não sairia tanto de casa. Nem trabalharia para um ou outro que trocam comigo o dinheiro e trabalho necessários. Mas escreveria, ensaiaria, leria, estudaria. Receberia poucos amigos, caminharia mais em parques e fazendas e trilhas. Cairia mais em cachoeiras e nadaria mais em rios. Faria menos barriga e mais músculos. Veria mais o mar. Amaria. Barreiras estão sendo quebradas. O tempo entre a India e o Brasil noutro dia mesmo, sumiu nas diferenças. Unimos intenções apesar dos fusos. A amiga na Turquia pedia que eu ouvisse - queria mesmo que eu visse, a doida - o país entoando sua oração, silenciosa, mas que produzia uma única voz, à Meca. Já bem sei o que pode produzir um uníssono de intenções. Duas ou três intenções já resultam bem se verdadeiramente intencionadas. Vocacionadas - como bem gosta de adjetivar um conhecido. A forte intenção tem poder de decisão. Ela determina o caminho do concreto. E essa história de amor é que quero contar, viver, sentir. Ando desvelando um feminino delicioso tanto quanto desafiador. Acatar o macho. Subservir ao lado. Interessante isso. Nunca imaginei que eu pudesse. Tão arrogante sempre. Mas vejam que vou. E vou com Gibran.


Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga:
“Deus está no meu coração”,
Mas que diga antes:
"Eu estou no coração de Deus”.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
Senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança.


E vou com o Mestre Jura.


"Chamo estrela chamo estrela

Chamo estrela, estrela vem

Ela vem me ensinar

O amor de quem quer bem


O amor de quem quer bem

É a saúde e o bem estar

Consagrando esse amor

Para sempre não faltar


Para sempre para sempre

Amigo do meu irmão

Que ele é a minha luz

Nesse mundo de ilusão"


Blessed Be e Namastê

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Liberdade



Descubro que o carro não está mais lá.

E o apego também não.

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

dos Eus


Um deles olha por cima do ombro e diz: que bobagem!

O outro olha por baixo da linha do horizonte e diz: ai de mim!

E mais um olha prá cima da cabeça e diz: que venha!

E outro e outro e outro.

Quantos eus dentro de mim?

E que circunstância é essa de reconhecê-los no mais amoroso do auto-conhecimento, praticado com o mestre que tanto busquei. O de dentro e o de fora juntos.

Feliz esse momento.

Mas ando desconfiando dos amores.

As relações pelejam permanecer.

E o que permanece é o espírito. E a morte.

E a permanência para além da morte e do espírito, sol-do Si-amor.

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

que mistérios tem Clarice...

achei de compartilhar uma leitura...

"Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.”

("Aprendendo a Viver", Clarice Lispector - pg 53)